Wilker afirma que decisão de afastar secretária de saúde é prova da compra superfaturada de respiradores

Recomendação do afastamento de Simone Papaiz foi feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM)

Manaus – Após o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) recomendar, nesta quarta-feira (13), o afastamento da secretária de Estado de Saúde (Susam), Simone Papaiz, por parte do governador do Amazonas, Wilson Lima, o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) afirmou que a solicitação do órgão de controle comprova o superfaturamento na compra de 28 respiradores pulmonares feita pelo Executivo em uma loja de vinhos, que custou R$ 2,9 milhões aos cofres públicos do Estado.

O deputado Wilker Barreto (Foto: Divulgação)

Para o parlamentar, a decisão dos conselheiros do TCE em pedir o desligamento da titular da Susam do cargo de secretária é uma resposta para a omissão do Executivo. Além disso, foi identificada a falta de prestação de informações da gestão para explicar as razões da compra de ventiladores pulmonares pela empresa FJAP & Cia, com preço quatro vezes acima do mercado, para o tratamento de pacientes contaminadores pelo novo coronavírus (Covid-19) no Amazonas.

“Por unanimidade, o Tribunal de Contas do Estado solicitou o afastamento da secretária de saúde porque, como todo o Amazonas e o Brasil já sabe, houve superfaturamento na compra dos respiradores. O Governo se omitiu, não apresentou os documentos e a decisão é uma resposta da falta de comprometimento do Executivo com o dinheiro público”, explicou Wilker.

Além de pedir o afastamento da secretária, o TCE ainda aplicou uma multa de R$ 75.099,15 à Papaiz por “graves infrações às normas legais no processo de dispensa de licitação para compra dos respiradores, omissão em atender a determinações do TCE-AM e apresentar documentos e/ou justificativas à Corte de Contas. A decisão também ordenou a suspensão do pagamento dos respiradores à empresa de vinhos, sob pena de restituição do valor imposta à secretária da Susam caso estes já tenham sido efetuados.

Sessão tumultuada

Assim como na última terça-feira (12), a Sessão Ordinária virtual da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) desta quarta-feira (13) mais uma vez precisou ser interrompida devido tumulto protagonizado por deputadas da base governista. O presidente da Mesa, Josué Neto, foi impedido novamente pela liderança do governo em dar continuidade ao processo de tramitação do pedido de impeachment do governador Wilson Lima e do seu vice, Carlos Almeida.

Para Wilker, mais uma vez ficou evidente a manobra dos deputados da base do governo na Casa para impedir o andamento do processo, assim como a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde.

“Mais uma vez ficou claro a intenção dos deputados da base do governo para tentar impedir o impeachment. Esse desespero todo é para tirar o presidente Josué Neto, assumir os trabalhos e arquivar o impeachment. É muita falta de respeito com a população amazonense”, explicou Wilker, frisando ainda que os 13 parlamentares que são contra o processo de impeachment não assinaram a CPI da Saúde que vai investigar ações e contratos firmados desde 2015 na Susam.