Wilker pede comissão sobre grampo no Amazonas

Após pedido de investigação feita pelo parlamentar, o governo do Estado disse, em nota, lamentar o uso por parte da oposição da prerrogativa de legislador para ocupar o Ministério Público com suposições

Manaus – O deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) defendeu nesta quinta-feira (6) que a Assembleia Legislativa do Estado (ALE) crie uma comissão para acompanhar pedido que o deputado fez junto ao Ministério Público do Amazonas para que o órgão apure suspeita de grampos ilegais no âmbito da Secretaria Executiva-Adjunta de Inteligência (Seai).

“Não estou preocupado com gravações, mas não posso permitir essa afronta à democracia. Não sei se a secretaria de inteligência consegue distinguir o público do privado. Assim, vou sugerir que o presidente (da Assembleia Legislativa do Estado- ALE) Josué Neto possa instaurar uma comissão nesta Casa para que a Assembleia acompanhe os fatos, pois isso é muito grave”, disse.

O documento entregue MP-AM solicita investigação pelo suposto ato ilegal (Foto: Raquel Miranda/11-07-18)

Na tarde desta quinta, o governo do Estado emitiu uma nota em que refuta as suspeitas do parlamentar. Segundo a nota, o governo do Estado do Amazonas não promove tal ato.

“Acreditamos na democracia e na legitimidade dos poderes e lamentamos o expediente utilizado pela oposição para ter algum tipo de atenção. Toda e qualquer escuta telefônica feita pelo setor de Inteligência do Governo do Estado é determinada pela Justiça. Quando há decisão judicial neste sentido, as escutas ocorrem de acordo com o trabalho de investigação dos órgãos competentes, a quem são repassadas as informações apuradas” , cita a nota.

Em outro trecho, a nota diz que o governo lamenta o uso por parte da oposição da prerrogativa de legislador para ocupar o Ministério Público com suposições, “fazendo com que a instituição comprometa a execução e/ ou continuidade de outros trabalhos em curso”.

No plenário da ALE, Wilker Barreto, na manhã desta quinta-feira, reafirmou suspeitas feitas ao MP-AM.

“Temos fortes indícios e digo a vocês que não tenho nada a esconder, pelo contrário, quando começamos a incomodar, os ataques iniciam. Quem se beneficia com isso? Quem não quer que as pautas de denúncias possam vir à tona? Se o Ministério Público comprovar o grampo ilegal, teremos um atentado à democracia”, disparou Wilker, que levou o caso ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) na tarde da última quarta-feira (5).

O documento entregue à procuradora geral de justiça do estado do Amazonas, senhora Leda Mara Nascimento Albuquerque, solicita investigação pelo suposto ato ilegal efetivado. O deputado cita que a Constituição Brasileira determina sigilo de correspondência e de comunicações de um cidadão inviolável, mas abre exceção para casos de ordem judicial para fins de investigação criminal.