Wilson aluga hospital por R$ 2 milhões mesmo com Delphina Aziz à disposição

As informações constam na decisão do ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Francisco Falcão

Manaus – Durante a pandemia, a gestão do governador Wilson Lima alugou o Hospital da Nilton Lins para atender pacientes de Covid-19 por R$ 2,6 milhões para um período de três meses. Chama atenção que, na mesma época, o governo do Estado tinha a disposição o Hospital Delphina Aziz com capacidade de ampliação para receber mais 300 leitos.

No Hospital Nilton Lins, foram identificadas deficiências estruturais como ausência de sistema de aspiração a vácuo nos leitos de UTI e falta de espaço específico para a troca de EPIs pelos profissionais de apoio e de saúde (Foto: Divulgação)

As informações constam na decisão do ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Francisco Falcão, que determinou prisão temporária, expedição de mandados de busca e apreensão, além do deferimento de medida de afastamento de sigilo bancário, fiscal e telemático de investigados durante a quarta fase da Operação Sangria, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (02) em Manaus.

O Inquérito n. 1.391/DF apresenta a motivação da investigação na introdução do documento: “Aduz o Parquet (Ministro Público Federal) que o Hospital Delfina Aziz, situado na capital amazonense, possuía plena capacidade de ampliação para recebimento de 300 leitos, ja o Hospital Nilton Lins nao apresentava as condições adequadas para prestar atendimento aos pacientes”.

Notas técnicas elaboradas pela Controladoria-Geral da União (CGU) comprovam que “o hospital Nilton Lins” já estava previamente escolhido pelo governador Wilson Lima e foi feito apenas os trâmites legais do contrato, dispensando cumprimento de processo licitatório.

“Segundo o Parquet, os achados da CGU corroboram a hipótese criminal investigada, no sentido de que “o Hospital Nilton Lins já estava previamente escolhido pelo governador Wilson Miranda Lima, sendo que o processo de contratação apenas buscou dar ares de legalidade ao que decidido e realizado ao arrepio das normas licitatórias. Ademais, evidenciou que o preso foi estabelecido sem qualquer parâmetro e sem observância das normas da Lei de Licitações”.

A organização criminosa apontada por desviar recursos da Saúde no Amazonas continuou a agir mesmo após operações deflagradas pela Polícia Federal (PF) no Estado para coibir crimes.

É o que aponta o ministro do STJ ao determinar a deflagração da quarta fase da Operação Sangria motivado pelo fato da “organização criminosa, suspeita de desviar recursos da Saúde no Amazonas, dar continuidade as ações”.

“Aponta, ainda, o Ministério Público Federal que também na reinauguração do Hospital de Campanha Nilton Lins, no inicio de 2021, quando do agravamento da crise sanitária na capital amazonense, foram, novamente, detectadas graves falhas, conforme consta de Relatório de Inspeção Sanitária formalizado pelo Departamento de Vigilância Sanitária da Prefeitura de Manaus, juntado as fls. 101-127.”

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