Wilson Lima indicou empresário para compra de respiradores em loja de vinhos

Governador apresentou Gutemberg Alencar, ao ex-secretário de Saúde, Rodrigo Tobias para negociar a compra do equipamentos

Manaus – Segundo depoimento à Polícia Federal (PF), Wilson Lima, governador do Amazonas, foi quem indicou o empresário Gutemberg Alencar para a compra de respiradores em uma loja de vinhos em Manaus no início da pandemia em 2020.

O governador Wilson Lima com os respiradores superfaturados (Foto: Divulgação)

Segundo informou o site UOL, que teve acesso ao depoimento à PF, partiu do governador a indicação do ex-policial militar e empresário Gutemberg Alencar, ao ex-secretário de Saúde, Rodrigo Tobias para negociar a compra do equipamentos. O empresário é apontado como operador do esquema que fraudou licitação e superfaturou a compra de 28 respiradores inadequados negociados na Vineria Adega. Ainda conforme apuração do UOL, Wilson Lima, sustenta que o comando não foi para que irregularidades fossem cometidas, mas, sim, para que os dois conversassem sobre a compra de equipamentos.

Trechos do depoimento confirmam a informação. ‘Ele [Alencar] não me ofereceu nada de ventiladores, de respiradores pulmonares. Apenas disse que poderia ajudar. Pedi a Tobias que o ouvisse e entendesse que tipo de ajuda ele poderia dar naquele momento.”

As mesmas informações fazem parte da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na última segunda-feira (26), que acusa Wilson Lima de chefiar uma organização criminosa que utilizou a situação da pandemia para desviar recursos públicos.

Segundo a PGR, Wilson Lima orientou pessoalmente a fraude da compra da compra dos respiradores e teria tentado atrapalhar a investigação com adulteração de documentos e coação de testemunhas.  O site UOL detalha a denúncia e, conforme transcrições de conversas entre o governador e João Paulo Marques, ex-subsecretário executivo da Susam (Secretaria de Saúde do Amazonas), o governador pergunta sobre a assinatura da documentação de compra dos respiradores. João Paulo relata que Dayana Mejia, ex-subsecretária da Susam, apresentava resistência em fazê-lo. Em áudio, João Paulo já havia tentado convencê-la, divulgou o site.

A matéria do UOL destaca ainda outro trecho da denúncia da PGR. No trecho, Wilson Lima, então, pergunta se o novo ocupante do cargo poderia fazê-lo, ao que João Paulo responde que não. O substituto deixou o cargo um mês após a nomeação. Na ocasião, ele [Wilson Lima] possuía a ciência, bem como o controle da situação, de que o processo ainda estava sendo ‘arrumado’, tanto é que ele sugere/questiona para João Paulo se outro servidor da secretaria, de nome Ítalo, poderia assinar parte dos documentos que ainda estavam sendo confeccionados com data retroativa.”

Em nota, a Secretaria de Comunicação do Amazonas limitou-se a informar que “o governador sempre determinou aos gestores que garantissem o atendimento da população respeitando os processos legais da administração pública” e que seus atos “sempre zelaram pela legalidade e probidade”.