Afastamento do trabalho por transtornos mentais aumenta 26% durante a pandemia

Mais de 576 mil pessoas passaram a receber auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez pelo INSS em 2020. Depressão e ansiedade estão entre as principais causas

Manaus – Ter uma saúde de qualidade e ficar bem consigo são fatores fundamentais para quem deseja uma boa produtividade no ambiente de trabalho. Porém, com as mudanças no mercado e exigências excessivas, muitas pessoas estão adoecendo mentalmente, afastando-se das atividades para realizar tratamento.

Transtorno é assunto sério e, atualmente, atinge cerca de 10 milhões de brasileiros. (Foto: Divulgação)

A pandemia da Covid-19 trouxe formatos de trabalho diferentes e adaptações que a maioria das pessoas não estava preparada para lidar, o que pode ter deixado muita gente com a mente esgotada. Por isso, é preciso estar atento aos limites para que as atividades executadas não se tornem uma sobrecarga.

De acordo com dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, mais de 576 mil pessoas passaram a receber auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez em decorrência de transtornos mentais e comportamentais em 2020, uma alta de 26% em comparação com 2019. Especificamente em relação ao auxílio-doença, a depressão e a ansiedade registraram a maior alta entre as principais doenças indicadas como razão para o pedido do benefício. O número de concessões em 2019 subiu de 213,2 mil para 285,2 mil em 2020, aumento de 33,7%, marca que superou a campeã da lista: as lesões causadas por fatores externos, como acidentes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que transtornos mentais como depressão, estresse e ansiedade representam a terceira maior causa pelo afastamento dos trabalhadores, já que demandas em excesso e a presença de riscos ocupacionais não controlados podem desgastar a mente do indivíduo e deixá-lo improdutivo ou esgotado física e emocionalmente. Assim, tanto o trabalhador quanto a empresa saem prejudicados.

“No ambiente de trabalho, as pessoas podem estar sujeitas a uma série de riscos: químicos, físicos, ergonômicos, biológicos e psicossociais. Para que esses fatores sejam eliminados ou controlados, é importante fazer uma gestão baseada no compromisso da empresa para entender como esses riscos se manifestam, além de oferecer um ambiente de qualidade, que preserve a saúde física e psicológica do colaborador”, afirma a especialista em saúde e segurança do trabalhador, Maria Jefres, que, junto com seu esposo, o também especialista no assunto, Mauro Jefres Júnior, lançou no fim do ano passado o livro “O sexto risco: quando as relações de trabalho adoecem a mente”.

Sobre o livro

O livro apresenta um modelo de programa de enfrentamento, gestão e tratamento de riscos psicossociais, além de mostrar propostas de como as organizações podem fazer a conscientização. Mauro e Maria também são responsáveis pela MJefres Metanóia Coletiva, empresa que trabalha com cultura e comportamento de prevenção no trabalho, além de fazer pesquisas e acompanhamento com pessoas que adoeceram emocionalmente por conta do trabalho.

Os autores afirmam que os fatores que afetam o psicológico do trabalhador podem surgir de diversas fontes de perigos, como a exposição de riscos químicos, físicos, biológicos, mas principalmente pela falha ou ausência na gestão da ergonomia organizacional e ergonomia cognitiva que estudam a cultura das organizações, e a interferência das atividades laborais na cognição das pessoas.

Também são fatores de riscos os relacionamentos diretos do profissional como assédio, preconceito, discriminação, perseguição, além de formas de agressão psicológica que podem estar veladas ou explicitadas nas relações de trabalho, afetando o clima organizacional das empresas, adoecendo pessoas e diminuindo a produtividade.

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