Amazonas e Pará lideram vagas ainda ociosas no Programa Mais Médicos

Das 1.462 vagas não preenchidas, 842 nem sequer tiveram inscritos, sendo que 85% delas estão em cidades das regiões Norte e Nordeste e 51% se concentram nos dois estados

Brasília – Mesmo após a abertura de dois editais voltados para brasileiros, mais de 1,4 mil vagas deixadas pelos cubanos no programa Mais Médicos não foram preenchidas por profissionais com registro no País. O balanço foi divulgado, na última sexta-feira (11), pelo Ministério da Saúde. O número representa cerca de 17% dos 8.517 postos de trabalho deixados pelos estrangeiros em novembro, quando o Governo de Cuba rompeu o convênio com o Brasil e ordenou o retorno quase que imediato de seus doutores.

Saída de cubanos abriu mais de 8 mil vagas no programa ‘Mais Médicos’. Quase 20% delas não foram preenchidas (Foto: Eraldo Lopes/Arquivo)

Das 1.462 vagas não preenchidas, 842 nem sequer tiveram inscritos, sendo que 85% delas estão em cidades das regiões Norte e Nordeste e 51% se concentram em dois Estados: Amazonas e Pará. Os números, baseados em dados do Ministério da Saúde, mostram, ainda, que um em cada quatro postos sem inscritos está em distrito sanitário indígena. Elas estão espalhadas nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Nenhuma vaga no Sudeste ficou sem interessado. Já na Região Sul, somente 62 vagas no Rio Grande do Sul não tiveram inscritos.

Agora, o ministério abrirá as vagas ociosas para brasileiros formados fora do País ou estrangeiros sem diploma revalidado. Eles já se inscreveram no sistema e precisam só escolher o município de interesse. Segundo cronograma divulgado pela pasta, os brasileiros formados fora do País poderão escolher as vagas nos dias 23 e 24. Depois, nos dias 30 e 31, estrangeiros poderão entrar no sistema e, entre as vagas remanescentes, selecionar uma cidade.

Para entidades médicas, apesar das 1,4 mil vagas ainda abertas, o índice de preenchimento dos postos de trabalho por brasileiros foi ‘fantástico’ e poderia ser ainda mais alto. “O discurso do governo no passado para implantar o Mais Médicos e para a entrada de cubanos foi de que brasileiros não queriam de forma alguma trabalhar nesses lugares, mas agora a maioria das vagas foi preenchida. O índice só não foi maior porque algumas medidas não foram tomadas”, diz Diogo Leite Sampaio, vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB). Ele se refere à oferta de desconto na dívida do Financiamento Estudantil (Fies) a médicos formados com o auxílio e o uso de médicos das Forças Armadas para áreas de difícil acesso.

Já o Conselho Federal de Medicina (CFM) afirmou que também considera o número de brasileiros suficiente para preencher as vagas em aberto. “Ressalte-se que 5.968 médicos passaram a integrar o Mais Médicos entre 14 de novembro e 11 de janeiro, o que dá uma média de 100 novas incorporações por dia, sendo que essa adesão foi livre e voluntária, independentemente de acordos ou interesses outros”, declarou, em nota.

Anúncio
Anúncio