Dezembro abre alerta para Vírus Sincicial Respiratório no AM

O vírus circula com mais força em dezembro e dura até junho, conforme explicou o diretor da Sociedade Brasileira de Imunização, doutor Renato Ávila Kfouri, em evento em SP

São Paulo* – Pais e mães de bebês recém nascidos devem ficar atentos a sazonalidade do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que no Amazonas começa a circular em dezembro e dura até junho, conforme explicou o diretor da Sociedade Brasileira de Imunização e presidente da Comissão de Imunização da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Ávila Kfouri, nesta segunda-feira (2), em coletiva de imprensa realizada em São Paulo.

“Na Região Norte do País, o vírus circula durante todo o ano, mas tem o seu ápice no período chuvoso. Ou seja, de dezembro a junho, época que mais acomete crianças e adultos e causando doenças mais graves em bebês, menores de 2 anos. Este é o maior vilão”, afirmou o especialista.

De acordo com o Kfouri, na maioria das vezes, o vírus pode ser diagnosticado como uma bronquiolite, doença afeta diretamente o sistema respiratório de bebês pequenos. Principalmente entre o primeiro e segundo ano de vida.

“Em geral, o bebê fica cansado, com dificuldades para respirar e a febre, quando vem, é baixa e o estado geral é bom. E esta dificuldade respiratória do bebê é o principal sintoma do VSR”, explicou.

Bebês prematuros e de até 2 anos são mais vulneráveis ao vírus (Foto: Daniela Ramiro/SPMJ)

Kfouri alertou, ainda, que os bebês mais vulneráveis a serem contaminados pelos VSR são os bebês prematuros. Ou seja, aqueles que nascem com doenças no coração ou no pulmão, devem receber imunização. “Os bebês prematuros, que tenham alguma doença cardíaca e crônica, são os grupos que podem ser acometidos. Então, é preciso ressaltar que a imunização é específica para o VSR, e está disponível de forma gratuita para esses tipos de bebes. Seja pelo Ministério de Saúde, ou para quem tem plano de saúde, pois só assim, imunes com os anticorpos artificiais, os bebês ficarão imunes a desenvolver uma doença de alto risco”, explicou.

Transmissão e prevenção

Em geral, a transmissão é feita através de tosse, espirro, secreção ou de algum adulto que possui o VSR, como explica o especialista. Segundo ele, muitas vezes, quando um adulto toca no bebê, no celular, após uma dessas ações, existe a grande possibilidade de transmitir o vírus para o bebe.

“Às vezes, contaminamos a mão em diversas superfícies como o telefone celular e vamos tocar o bebê. Então, é muito portante a higiene das mãos. Vale lembrar que a prevenção de doenças respiratória ou infectuosas em crianças, passa por cuidados, como não expor a criança ao cigarro, estimular o aleitamento materno e evitar contato com pessoas doente”, explicou.

Planos de saúde devem prevenir

Um novo hall de procedimentos da Agência Nacional de Saúde incluiu a prevenção do VSR é obrigatória para bebês prematuros que tem doenças no coração ou no pulmão.

“Prevenir o VSR é tão importante quanto qualquer vacina. Então, aos pais, ou quem conhecer pais de bebês prematuros ou recém nascidos devem alertá-los para esta vacina”, concluiu.

Amazonas registrou 39 óbitos devido o vírus, em 2019, diz FVS

No Amazonas, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), foram confirmados 458 casos do VSR, em 2019 , sendo registrados 39 óbitos. De janeiro a junho, dos 37 mil nascimentos, 2,9 mil foram prematuros no Amazonas, uma média de 16 prematuros por dia.

Até mesmo os bebês que receberam anticorpos das mães durante a gestação são vulneráveis à infecção pelo vírus sincicial respiratório.

Tabagismo passivo, ambientes pouco ventilados e com muita gente e desmame precoce são outras condições que favorecem a manifestação desses quadros infecciosos.

A infecção pelo VSR é altamente contagiosa. Há evidências de que até os três anos de idade, todas as crianças já entraram em contato com esse vírus sem desenvolver a forma grave da doença.

Qualquer pessoa pode ser infectada pelo vírus sincicial respiratório. As manifestações clínicas variam de acordo com a idade.

No caso do VSR pode haver mais de uma variação do vírus durante o mesmo período de incidência, por causa de sua capacidade muito rápida de sofrer mutações – nesse caso, em questão de dias ou meses. Essa, inclusive, é uma característica que dificulta a obtenção de uma vacina, ainda em processo de pesquisa.

*O jornalista viajou a convite da Abbvie

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