Em Manaus, cirurgiões atendem apenas casos de urgência por falta de pagamento

Há cinco meses sem receber pagamento do Estado, serviços de cirurgia vascular foram interrompidos em quatro hospitais de Manaus. Médicos afirmam que estão indo “puramente por questões humanitárias”

Manaus – Há cinco meses sem receber pagamento, aproximadamente 25 cirurgiões vasculares que atuam em Manaus, pela rede estadual de saúde, estão atendendo apenas cirurgias de urgência por “questões humanitárias”. Os médicos informaram que são os únicos cirurgiões vasculares que atuam na rede estadual de saúde e pertencem à União Vascular de Serviços Médicos Ltda (Univasc).

Na avaliação de um dos cooperados, o cirurgião vascular Luís Claúdio Lima, o governo estadual acumula dívida de cerca de R$ 3 milhões com a cooperativa. Com a paralisação, iniciada no último domingo (24), segundo os médicos, os serviços de cirurgia vascular foram interrompidos no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, e Hospital e Serviço de Pronto Atendimento da Criança – Zona Leste (O ‘Joãozinho’).

Serviços de cirurgia vascular foram interrompidos em hospitais da capital (Foto: Reinaldo Okita)

A especialidade médica de cirurgia vascular é responsável pelo tratamento cirúrgico de doenças das artérias, veias e vasos linfáticos. De acordo com o cirurgião vascular José Bernardes Sobrinho, que é cooperado da Univasc, alguns médicos estão indo aos hospitais apenas para fazer atendimentos classificados, pela classe médica, como “urgência vermelha”.

“Alguns estão indo puramente por questões humanitárias. Os pacientes não têm culpa”, disse Sobrinho. De acordo com o médico, nos últimos três dias de paralisação, a cooperativa atendeu três pacientes, entre eles uma criança, que poderia ter perdido uma perna “ou até mesmo ido a óbito. A situação está insustentável e o contrato não foi renovado pelo governo”, acrescentou o médico.

Segundo o cirurgião vascular Luís Cláudio Lima, também da Univasc, além dos cinco salários atrasados, as reivindicações dos cooperados incluem dois cirurgiões vasculares por plantão e a disposição de salas específicas para o atendimento de cirurgia vascular.

De acordo com Lima, não há salas suficientes nos hospitais o que provoca acúmulo dos pacientes nos setores de emergência. “São uns R$ 3 milhões que o governo deve para os cirurgiões”, disse. De acordo com Lima, de todos os cirurgiões que atendem, na rede pública de saúde, em Manaus, no máximo dois não fazem parte da Univasc.

Questionada, a Susam informou que o secretário de estado de saúde, Vander Alves, se reuniu com representantes da Univasc, na tarde desta terça-feira (26). Conforme a Susam, será elaborado um termo de compromisso entre as partes que será levado para votação entre os membros da empresa na manhã desta quarta-feira (27). Se aprovado o termo, conforme a Susam, também será assinado pelo secretário de saúde e os profissionais voltam a exercer as atividades normalmente ainda nesta quarta-feira.

À reportagem, médicos da Univasc confirmaram a realização da reunião com o governo estadual e evitaram informar detalhes da proposta da Susam para os cooperados. De acordo com os cirurgiões da Univasc, a proposta seria estudada, pelos cooperados, na noite desta terça-feira.

Entre as doenças vasculares passíveis de tratamento cirúrgico estão aneurismas, varizes e traumas vasculares.

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