Exame de Índice Tornozelo-Braquial ajuda no monitoramento de pacientes cardiovasculares

Somente no primeiro bimestre de 2019, foram registradas 75 mil mortes ocasionadas por doenças cardiovasculares em todo o País, de acordo com levantamento do Data/SUS

Manaus – Pacientes com pré-dispostos a doenças graves cujas causas estão relacionadas à hipertensão, alterações do colesterol e triglicérideos, tabagismo e diabetes contam com uma ferramenta a mais prever precocemente complicações severas. Trata-se do exame do Índice Tornozelo-Braquial (ITB), um procedimento de aferição arterial de todos os membros, associado à detecção de fluxo pelo Doppler.

Somente no primeiro bimestre de 2019, foram registradas 75 mil mortes ocasionadas por doenças cardiovasculares em todo o país, de acordo com levantamento do Data/SUS. Com isso, o índice de mortalidade é de uma a cada 90 segundos. De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), esse número está diretamente relacionado à qualidade de vida dos pacientes, passando pela alimentação, consumo de álcool, tabagismo, sedentarismo e à pré-disposição genética.

“Queremos dar aos pacientes uma ferramenta a mais e, das mais eficazes para melhorar sua qualidade de vida, visto que a realização do exame oferece um resultado que varia de 98% a 100% na detecção precoce de doenças arteriais, além de conseguir identificar o acometimento de possíveis problemas cardiovasculares”, afirmou a médica cirurgiã vascular, Fabiana Lo Presti Mendonças Rosas.

O procedimento não é invasivo e pode ser feito no consultório (Foto: Divulgação)

Recurso

De acordo com a especialista, a realização do exame é um dos melhores recursos para avaliação em pessoas assintomáticas para doença cardiovascular em estágios iniciais. “O resultado é ainda melhor para acompanhamento de pacientes que já foram submetidos a tratamento de revascularização periférica. Com o ITB, pode-se avaliar o sucesso do procedimento e a necessidade precoce de re-intervenção”, explicou.

Uma das principais características das doenças cardiovasculares em fase inicial é a falta de sintomas significativos que despertem a atenção do paciente. Com isso, é de suma importância estar sempre atento aos fatores de risco e, caso esteja dentro desse grupo, incluir a realização do exame na lista de procedimentos feitos em um checkup anual.

A médica destaca que o procedimento não substitui a Anamnese, que é uma entrevista com o cirurgião vascular. “O ITB é uma ferramenta a mais, no arsenal do diagnóstico precoce, pois definirá se há presença de alterações na circulação periférica”, acrescentou.

O procedimento não é invasivo e pode ser feito no consultório. Para a assertividade dos resultados, o paciente deve permanecer em repouso pelo menos 15 minutos antes do início do procedimento, não pode ter fumado por pelo menos duas horas antes. Dentre o grupo mais indicado para a realização do exame, estão os pacientes que já foram submetidos a procedimentos de revascularização teriam no ITB um dos principais recursos de acompanhamento.

Grupo de risco recomendado para a realização do exame:

  • Todos os indivíduos com idade acima de 65 anos
  • Diabéticos, obesos, hipertensos e/ou dislipidêmicos
  • Tabagistas ou ex-tabagistas com idade igual ou superior a 50 anos
  • História de aterosclerose cerebral, carotídea ou coronariana
  • História de doenças da aorta
  • Avaliação de claudicação intermitente
  • História familiar de aterosclerose precoce
  • Hiper-homocisteinemia e/ou elevação da PCR-ultrasensível