‘Fila-Zero’: Prazo de 90 dias acaba e filas seguem na saúde do AM

Promessa do governo do Estado era acabar com as filas para atendimentos em 90 dias. Um mês após esse prazo, pacientes denunciam que seguem com dificuldades para agendar procedimentos

Manaus – Quatro meses após o lançamento do programa Fila Zero, pelo governo do Amazonas, que prometia zerar as filas para exames, cirurgias e consultas no sistema de saúde público do Estado, em 90 dias, e diminuir a espera de pacientes, pessoas ainda aguardam pela marcação dos procedimentos na rede estadual de saúde.

O caseiro Joaquim Ferreira Gomes, de 70 anos, é uma das pessoas que aguardam há quase cinco meses para realizar o exame de raio x em uma das mãos. Segundo ele, após o cadastro, ele continua recebendo mensagens de texto via celular (SMS) relembrando as datas, mas vários horários marcados para os exames já foram adiados (veja imagem ao lado). “Desde quando eu precisei marcar esse exame eu recebo as mensagens, mas é só ilusão. Eu já fui três vezes na unidade de origem pra fazer esse reagendamento, mas até agora nada. Na época eu precisava fazer um raio x e agora já vão fazer seis meses que eu continuo nessa situação”, contou o caseiro.

Usuários da rede pública de saúde do Estado dizem não ter sentido mudanças com o programa ‘Fila Zero’ (Foto: Eraldo Lopes/Arquivo)

Outra paciente que reclama do programa é Renata Desiderio, de 40 anos, que desde junho aguarda a marcação de exames com um médico cardiologista e contou que ao chegar na unidade de agendamento, é informada que não há vagas para a marcação. “Eu já tentei algumas vezes marcar e remarcar esses exames, mas eles só me dizem que a fila de espera e os retornos não tem vaga no sistema”, afirmou.

Investigações

Em junho deste ano, o Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) considerou que não estão claros os termos em que o governo pretendia realizar os ‘mutirões da saúde’ para zerar as filas de espera por procedimentos nos hospitais do Estado e instaurou um inquérito civil para verificar a regularidade do programa.

O MPF requisitou, no prazo de 15 dias, o número de mutirões programados para o ano de 2017, com datas e locais de realização, os tipos de procedimentos e materiais necessários.

Superfaturamento

Paralela a essa investigação, no dia 16 de agosto, o MPF estabeleceu um prazo de cinco dias úteis à Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas (Susam) para que explique a contratação direta e de caráter emergencial do Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed), para realização de 780 cirurgias eletivas, no valor de R$ 8,4 milhões.

A decisão surgiu após a divulgação de um áudio, em que Daniel Almeida, irmão de David Almeida, discute por telefone com Maria de Nazaré Menezes, diretora do Instituto Gente Amazônia (Igam), e onde ela denuncia o superfaturamento nos contratos das cirurgias e pede providências sobre o assunto.

Na ocasião, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) pediu, por meio de medida cautelar, a suspensão dos efeitos do ato de dispensa de licitação e contratação direta no Imed, ao apontar indícios de irregularidades, como o sobrepreço de R$ 7 milhões, e dano ao patrimônio público.

Segundo o Ministério Público de Contas (MPC), a Susam pagará mais de R$ 10 mil por cada procedimento, quando a média, conforme o levantamento feito pelo Igam, é de R$ 1,6 mil por cada cirurgia.

Durante três dias, a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) entrou em contato com a Susam, por meio de assessoria de comunicação, para questionar a atual situação do programa no Estado. Até o fechamento desta matéria a Susam não havia se pronunciado sobre o caso.

Anúncio