Gordura no fígado exige restrição do consumo de bebida alcoólica

Médico adverte que indivíduos com qualquer problema hepático devem cortar a zero a ingestão de álcool

São Paulo – Os famosos brindes de fim de ano com bebidas alcoólicas são uma tradição em muitas famílias e rodas de amigos ao redor do mundo. Entretanto, exageros nesta época do ano podem ser cruciais para quem já tem algum comprometimento do fígado.

Álcool sobrecarrega o fígado e agrava quadros já existentes (Foto: Pixabay)

Segundo Paulo Bittencourt, presidente do Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig), a tolerância às bebidas alcoólicas para pessoas com problemas hepáticos deve ser zero.

“O consumo adequado de bebidas alcoólicas independe do tipo de bebida. O que se considera é o total de álcool ingerido. A recomendação é 45 ml de destilados, 150 ml de vinho ou lata de cerveja – até duas doses por dia para homens e uma por dia para mulheres. Mas, no caso de quem apresenta alguma doença hepática, ou mesmo gordura no fígado, o limite seguro é zero.”

A gordura no fígado, chamada de esteatose hepática, é comum principalmente entre indivíduos que estão acima do peso.

Essa condição pode ou não gerar inflamação no fígado, o que, por sua vez, é um fator de risco para o desenvolvimento de cirrose (cicatrização que distorce a estrutura do órgão e compromete a função dele), descreve o Manual MSD de Diagnóstico e Tratamento.

As causas mais comuns de fígado gorduroso nos países ocidentais são:

• Consumo abusivo de álcool
• Obesidade
• Anormalidades metabólicas, como resistência à insulina, como ocorre em diabéticos, e níveis elevados de gorduras no sangue (triglicerídeos e colesterol)
• Uso de medicamentos, como corticoides e drogas quimioterápicas
• Gravidez
• Toxinas

Por raramente apresentar sintomas, a esteatose hepática é detectada normalmente em exames de rotina, como ultrassom do abdômen.

O especialista relata que, além do consumo de bebidas alcoólicas, outros fatores podem levar ao desenvolvimento de doenças hepáticas, como o sobrepeso e o sedentarismo.

“Para diagnosticar a saúde do fígado, o recomendado é que sejam feitos exames de avaliação de enzimas hepáticas, por meio da coleta de sangue, e ultrassom de abdômen”, explica.

A importância da realização desses exames se dá pela forma como as doenças hepáticas se desenvolvem. Segundo Bittencourt, elas são silenciosas e só apresentam sintomas quando a saúde do fígado pode já estar comprometida, com o risco de levar a casos de cirrose e até câncer.

“Nos estágios iniciais, é possível tratar as lesões do fígado adotando um estilo de vida mais saudável, com dieta rica em frutas e vegetais, e eliminando alimentos gordurosos, além de manter um peso saudável e fazer exercícios regularmente. Nos casos avançados, a doença hepática pode levar à necessidade de transplante do órgão.”

Às pessoas sem problemas hepáticos, Bittencourt recomenda cautela ao consumir álcool durante as festividades de fim de ano e férias, a fim de evitar excessos que possam ser prejudiciais à saúde.

“A orientação para as pessoas que forem beber nas confraternizações é que elas se hidratem bastante e consumam bebida alcoólica durante as refeições. Além disso, devem evitar a automedicação. Os chás e remédios que chamamos de hepatoprotetores, mesmo os analgésicos, quando usados para tentar curar a ressaca podem ser ainda mais prejudiciais ao fígado e potencializar os efeitos do excesso.”

Um dos medicamentos que devem ser evitados após a ingestão de álcool é o paracetamol, conhecido por causar danos ao fígado se usado em altas doses.

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