Neurocirurgião explica o que fazer ao ver uma pessoa tendo um ataque epilético

Saiba o que fazer ao presenciar uma crise

Manaus – A epilepsia é um transtorno cerebral crônico que afeta de 8 a 10% da população mundial, sendo responsável por 1 a 2% dos atendimentos de emergência, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Este transtorno é provocado por descargas elétricas dessincronizadas do córtex cerebral, camada mais externa no cérebro, e caracterizada por alterações comportamentais súbitas, chamadas crises epilépticas, que se repetem a intervalos de tempo variáveis, podendo se manifestar em qualquer fase da vida.

(Foto: Divulgação / F5 Assessoria)

O diagnóstico é baseado na história do paciente com a descrição detalhada do evento suspeito. O neurocirurgião, Eduardo Palhares, explica como ocorre o distúrbio. “São ‘disparos’ elétricos proveniente de qualquer área do cérebro que provoca sintomas conforme a origem da área que saiu o disparo. As causas para o distúrbio ocorrem em dois estágios, nas primárias: podendo ser uma tendência genética, ou uma lesão congênita em alguma região do cérebro. A região mais comum é a porção mesial do lobo temporal. E nas secundárias: traumas, AVC, tumores, ou seja, alguma lesão ou insulto ao cérebro”, destaca.

O neurocirurgião ainda explica o que precisa ser feito ao ver uma pessoa tendo um ataque epilético. “Caso presencie uma pessoa tendo uma crise generalizada, você precisa primeiramente: virar se possível a pessoa de lado, proteger a cabeça e não tentar levantar. Nunca abrir a boca com algum material porque pode quebrar os dentes. Nunca tente puxar a língua pois a mordida é forte suficiente para cortar os dedos, já vi isso acontecer. E para complementar reitero que é falso essa história da pessoa engolir a língua”.

O transtorno pode se manifestar em qualquer fase da vida, no entanto, é possível levar uma vida normal mesmo com o diagnóstico de epilepsia, desde que o paciente siga o tratamento adequado e respeite as orientações médicas que visam diminuir os fatores desencadeantes de crises.

O tratamento recomendado sempre é o medicamentoso, considerando a frequência em que as crises acontecem, o tipo e os fatores de risco. Atualmente, há novos medicamentos antiepiléticos no Brasil, mas é importante ver a individualidade de cada paciente. Em alguns casos pode ser tratada com cirurgia.

Além disso, o diagnosticado deve associar o tratamento a hábitos saudáveis, como dormir bem, alimentação saudável e nos horários corretos, evitando jejum prolongado e o manejo precoce de infecções.

Saiba o que fazer ao presenciar uma crise:

• Afaste os objetos que possam ferir a pessoa;
• Proteja a cabeça para evitar trauma;
• Afrouxe as roupas para a pessoa respirar melhor;
• Posicione a pessoa de lado para liberar via aérea;
• Não ofereça água;
• Não coloque objetos na boca e nem tente puxar a língua, isso pode machucar, a crise é autolimitada;
• Se a crise durar mais de cinco minutos ou for repetida sem recuperação da consciência entre as crises, procure atendimento médico de emergência.

Felizmente, as convulsões podem ser superadas por 70 a 80% dos pacientes diagnosticados como epilepsia. O curso da doença depende da causa e tipo de crise.

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