Nutrição do bebê prematuro necessita do leite materno

Geralmente, os primeiros ml’s de dieta que o bebê irá receber pela sonda será o colostro da mãe

São Paulo – A nutrição do recém-nascido prematuro é um dos principais desafios enfrentados nas UTI’s Neonatal e pelas famílias dessas crianças. Os bebês pré-termo necessitam de cuidados especiais e, por mais complicada que a situação possa parecer, ações como o aleitamento materno, por exemplo, são possíveis.

Os estudos mostram que o leite da mãe de prematuro apresenta um maior teor calórico, proteico, lipídio e de componentes imunológicos. (Foto: Reprodução / Internet)

A nutricionista especialista em neonatologia, Viviane Matos, ressalta que a nutrição precoce é de extrema importância para os bebês prematuros. “Existem evidências suficientes de que a nutrição inadequada em períodos precoces da vida provoca forte impacto no desenvolvimento em longo prazo. A má nutrição em um período vulnerável do desenvolvimento cerebral resulta, entre outras, na diminuição do número de células cerebrais, com prejuízos importantes no desenvolvimento cognitivo, comportamento, aprendizado e memória”, explica. “Além disso, é preciso lembrar que o prematuro já nasce em uma situação de risco nutricional, uma vez que perdeu o período de estoque de nutrientes (3° trimestre de gestação). Como se não bastasse as baixas reservas nutricionais, o prematuro apresenta uma alta demanda metabólica, com necessidades nutricionais aumentadas. Com toda certeza, podemos dizer que nutrir um prematuro é um grande desafio”, completa.

Um dos problemas mais graves decorrente de nutrição precoce inadequada é a Enterocolite Necrosante, quadro inflamatório do trato digestivo. “Pode ser causada pelo fato de o bebê não ter recebido a nutrição precoce ou não ter recebido leite da própria mãe ou de doadora. É uma doença grave, que pode causar sequelas como estreitamentos (estenoses) intestinais, necessidade de ressecção intestinal (retirada de partes do intestino), dificultando assim a absorção intestinal de alguns nutrientes e pode ser fatal”, pontua Viviane.

Em função da imaturidade do trato gastrointestinal desses bebês e da falta de reflexos de sucção e deglutição, eles podem precisar receber suas primeiras calorias por via intravenosa. Os prematuros muito extremos, que ainda não conseguem sugar, recebem água com glicose (soro) e, com o passar do tempo, vai-se acrescentando proteínas, gorduras, vitaminas e minerais aos fluidos que recebem através da veia, a chamada Nutrição Parenteral Total (NPT). “A Nutrição Parenteral salva vidas”, salienta a nutricionista. “E é imprescindível que seja iniciada ainda nas primeiras 24 horas de vida, período crítico de adaptação do prematuro”, salienta.

Viviane explica que se o bebê já tiver maior maturidade gastrointestinal, a alimentação é iniciada através de uma sonda, um tubo flexível que é introduzido no nariz (nasogástrica) ou na boca (orogástrica) e chega ao estômago do bebê. “Dessa forma, o leite materno, seja da própria mãe ou de doadoras, ou mesmo fórmulas infantis, na falta do leite humano, são oferecidos para o prematuro na UTI”, fala. “A dieta enteral é muito importante para a saúde do prematuro, uma vez que auxilia na maturação intestinal e evita complicações como atrofia das vilosidades e translocação bacteriana”, complementa.

Geralmente, os primeiros ml’s de dieta que o bebê irá receber pela sonda será o colostro da mãe, leite produzido pela mulher nos primeiros sete dias após dar à luz. “Ele é rico em vitaminas lipossolúveis, anticorpos, proteínas e possui diversos benefícios para o fortalecimento da imunidade da criança”, lista Viviane. “Sendo assim, é fundamental a colostroterapia, que consiste na exposição da mucosa da boca do bebê a pequenas quantidades de colostro cru. Isso possibilita o contato da mucosa com essa secreção e auxilia não só na absorção de fatores imunes, mas também estimula o próprio sistema imunológico da criança a se desenvolver”, pontua.

Aleitamento materno

O leite materno da mãe prematura que teve um bebê com 29 semanas é diferente da que teve com 31 semanas ou da mãe que teve um bebê a termo, porém, todos esses leites são adequados às necessidades da criança, frisa a nutricionista. “Acredita-se ainda que a composição nutricional do leite da mãe de prematuro é diferenciada no primeiro mês de vida, quando comparado ao leite da mãe de um recém-nascido a termo. Os estudos mostram que o leite da mãe de prematuro apresenta um maior teor calórico, proteico, lipídio e de componentes imunológicos. É como se a natureza tentasse compensar as altas demandas nutricionais do prematuro através do leite da sua mãe”.

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(Foto: Reprodução / Internet)

Nos casos em que a produção do leite materno se torna insuficiente e não é possível oferecer leite humano de bancos de leite, é necessário recorrer a leites artificiais. “Existem atualmente fórmulas lácteas especialmente concebidas para prematuros, que são reforçadas com calorias e nutrientes para que correspondam às exigências nutricionais no período de crescimento rápido dos prematuros”, fala.

Mesmo que o bebê não esteja com a mãe no quarto da maternidade e não haja perspectivas de ele sugar o seio tão cedo, a diretora executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani, reforça que é preciso pensar imediatamente na amamentação. “O estímulo ao aleitamento materno na UTI pode ser mais complicado, mas é possível, sim, amamentar o prematuro. A melhor dieta sempre será o leite da mãe. No caso dos bebês prematuros, é algo que requer mais paciência, mas é importante que as equipes dos hospitais orientem e estimulem as mães, sem pressioná-las demais, pois o aleitamento materno vale ouro”.

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