Obsessão por alimentação saudável pode virar transtorno mental

Preocupação excessiva com qualidade das refeições pode virar doença chamada ortorexia. Veja como detectar e tratar problema

A pessoa com esse problema segue uma dieta muito restritiva, evitando alimentos que contenham não só gorduras ou açúcares, mas também conservantes, corantes ou outros componentes que considerem prejudiciais à saúde.
Essas escolhas podem levar à situação oposta: o aparecimento de problemas de saúde causados pela falta de nutrientes, por exemplo, dispensando gorduras saudáveis que fornecem vitaminas essenciais como D e cuja deficiência pode enfraquecer o sistema imunológico.

(Foto: Pixbay)

Como identificar e tratar esse transtorno? Para a psicóloga Raquel Velasco Del Castillo, um dos indicadores preocupantes é prestar atenção no tempo que a pessoa passa pensando nas refeições. “Os afetados buscam obsessivamente a melhoria da saúde, como passar mais de três horas do dia pensando na alimentação, planejando rigidamente as refeições ou tendo a necessidade de controlar a composição e porção de cada alimento”, explica ela.

A psicóloga Diana Camín acrescenta: “O portador de ortorexia apresenta uma série de sintomas psicológicos indicativos desse transtorno, como ansiedade excessiva com a quantidade e qualidade dos alimentos, preocupação em perder o controle e ‘cair em tentação’ e quebrar regras alimentares auto impostas. A pessoa, às vezes, restringe ainda mais a variedade de alimentos que pode comer ‘para se punir’ depois de quebrar suas próprias regras”.

Como consequência, a nutricionista Verónica Velasco orienta: “a ortorexia geralmente resulta em perda de peso muito rápida e pronunciada e em uma maior facilidade para sofrer lesões, às vezes devido a esportes excessivos sem estar bem nutrida. Além de que costuma levar à falta de energia e ao cansaço, até pelo tempo que a pessoa gasta planejando e organizando sua alimentação”.

Há casos em que a pessoa chega a desmaiar. Sendo necessário fazer tratamentos de hidratação controlada para regular os níveis de minerais no corpo ou implantar sondas de alimentação em cavidade gástrica através do nariz ou da parede abdominal.

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(Foto: Divulgação)

“Esses e outros comportamentos marcados pela rigidez alimentar são acompanhados por um sentimento de culpa muito alto na pessoa se ela pular alguma de suas necessidades dietéticas e afetam sua capacidade de ter uma convivência social equilibrada, o que geralmente leva ao isolamento”, acrescenta Del Castillo.

A principal diferença entre manter uma alimentação saudável e fazer uma dieta ortoréxica é que a pessoa, ao invés de ter uma preocupação razoável em manter um estilo de vida saudável, faz todo o seu tempo girar em torno da alimentação. O tratamento indicado é a busca de ajuda psicológica.

“Não é um transtorno que pode ser resolvido sem ajuda profissional e também tende a se tornar crônico ou piorar com o tempo. Se o afetado for um familiar, além de aconselhá-lo a buscar ajuda profissional, é importante evitar ser cúmplices da situação e não justificar ou minimizar o comportamento e suas consequências”, enfatiza Camín.

“O tratamento psicológico vai detectar a origem da doença, em sua maioria intimamente relacionado a traços obsessivos. Dois pilares da intervenção terapêutica são ajudar as pessoas a tomarem consciência dos riscos que correm a nível nutricional e social, mantendo estes hábitos rígidos e dar-lhes a capacidade de flexibilizar as suas orientações, alcançando hábitos verdadeiramente saudáveis”, finaliza a psicóloga.

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