Susam investiga três casos de encefalite ocorridos em comunidade de Barcelos

Uma equipe da capital foi enviada à comunidade já que, no local, é comum a incidência de mordidas de morcegos. Dois infectados são da mesma família

Manaus – A Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), órgãos vinculados à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), estão investigando três casos de pacientes, inicialmente diagnosticados com encefalite – inflamação e infecção agudas no cérebro causadas por vírus ou bactéria. Os pacientes são oriundos da comunidade de Tapira, no rio Unini, em Barcelos (a 399 quilômetros a noroeste de Manaus).

Um dos pacientes, de 17 anos, faleceu na última quinta-feira (16), no Pronto Socorro 28 de Agosto, na zona centro-sul de Manaus. Ele chegou ao hospital em estado grave na quarta-feira (15).

Uma menina de 10 anos, irmã do paciente que faleceu, e um homem de 44 anos, da mesma comunidade, também estão internados na FMT-HVD, desde sexta-feira (17). A FMT-HVD realizou a necropsia do corpo do paciente que foi a óbito e aguarda os resultados.

Pacientes estão internados na FMT-HVD, em Manaus (Foto: Eraldo Lopes)

Como na região onde surgiram os casos é muito comum a incidência de mordidas de morcegos, uma equipe de vigilância ambiental da FVS-AM está indo, neste domingo (19), à comunidade para apoiar a equipe da secretaria de saúde do município, visando reforçar medidas de prevenção e controle contra a raiva humana.

O trabalho será focado na investigação, busca ativa de novos casos, profilaxia com vacinação e soro para quem foi agredido por morcego. Além disso, vacinação de cães e gatos, captura e controle dos morcegos hematófagos e de animais domésticos suspeitos, coleta de amostras e ações de educação em saúde. A FVS-AM também notificou o Ministério da Saúde sobre os casos.

Foram disponibilizadas para o município cerca 750 doses de soroterápicos, incluindo 250 vacinas antirrábicas humanas, 250 vacinas antirrábicas caninas e 250 soros antirrábicos, além de 100 mosquiteiros impregnados e 200 frascos de repelentes.

Em Manaus, a equipe do Centro de Informações Estratégicas de Saúde (CIEVS/FVS-AM), Vigilância Epidemiológica (FVS-AM), Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE/FMT-HVD) e Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN/FVS-AM), estão prosseguindo com a investigação dos casos.

A FVS-AM informou que, em setembro de 2016, uma equipe de controle de zoonoses da fundação realizou atividades na calha do rio Unini, incluindo a comunidade de Tapira. Na ocasião, foram coletados morcegos, sem positividade para o vírus da raiva e realizado tratamentos por meio de pasta vampiricida para o controle da população de quirópteros hematófagos (Desmodus rotundus), além de ações de orientação aos moradores e medidas educativas.

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